Debatedores defendem medidas para proteger frentistas e motoristas contra gases tóxicos da gasolina

Os postos de combustíveis poderão ser obrigados a encher o tanque de veículos apenas até o automático, sem que o motorista precise pedir por isso. A medida está prevista em projeto de lei (PL 3327/15) que foi discutido na terça-feira (07) pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara.

A proposta, do deputado Giovani Cherini (PDT-RS), proíbe o preenchimento do tanque após o acionamento automático da trava de segurança da bomba de abastecimento para controlar a evaporação de substâncias tóxicas, como o benzeno, que são liberadas pela gasolina.

Representantes do governo, dos fabricantes de veículos, de empresas que produzem equipamentos para controlar a emissão e donos de postos de combustíveis participaram da audiência.

Viviane Forte, coordenadora-geral de Fiscalização de Segurança e Saúde do Ministério do Trabalho, expôs os detalhes de uma norma que, desde o ano passado, estabelece parâmetros para proteger a saúde dos frentistas e dos condutores.

Ela ressaltou que é preciso uma mudança de cultura por parte do consumidor para abandonar alguns hábitos. “Se completa mais um pouquinho o tanque e derrama combustível, aí o trabalhador vai lá com um paninho e limpa. Tudo isso potencializa a exposição dele aos vapores da gasolina, que contem benzeno.”

Mudança de sistema

O consultor ambiental Gabriel Murgel Branco defendeu a adoção da chamada “tecnologia embarcada nos veículos”, um sistema instalado nos automóveis que retém 98% dos gases tóxicos e reaproveita os vapores como combustível.

O deputado Carlos Gomes (PRB-RS), que é relator do projeto na Comissão de Seguridade Social e Família e solicitou a audiência, disse que pretende incorporar essa ideia em seu parecer.

“Resolve a questão da exposição do trabalhador, resolve a exposição também do condutor que está abastecendo e, às vezes, sente aquele cheiro forte de gasolina. Ou seja, resolve todos os problemas que envolvem a questão do abastecimento no posto.”

Para Henry Joseph Junior, diretor-técnico da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), é preciso controlar a emissão dos gases não só durante o abastecimento do automóvel no posto, mas desde o abastecimento do caminhão nas refinarias. Segundo ele, a introdução da tecnologia embarcada nos veículos não é tão simples e pode pesar no bolso do consumidor.

“Haverá realmente uma passagem de custos significativa para o proprietário do veículo, mas principalmente terá que ser feita uma mudança muito grande nos projetos do próprio veículo, o que impede a adoção desse sistema de uma hora para outra.”

Danos colaterais

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul mostra que o benzeno liberado pela gasolina provoca danos ao sistema nervoso central, doenças nos rins e no fígado, além de vários tipos de câncer relacionados ao sistema sanguíneo.

Fonte: Agência Câmara Notícias